23.3.12
Tu querias ser um rapaz norueguês. Eu queria ser uma menina alemã. Tu querias tocar violino. Eu queria uma vestido preto. Tu querias uma franja loura. Eu queria falar inglês. Tu querias chá. Eu queria uma guerra. Tu querias tudo em cinzento. Eu queria tudo à minha volta. Tu querias passear em Portugal. Eu queria apaixonar-me por ti. Tu querias que a raça. Eu queria que a raça. Tu querias o multiculturalismo. Eu queria outra guerra. Tu querias dentes brancos. Eu queria cuspir para o chão. Tu querias um café. Eu queria atrasar-me. Tu querias antecipar-me. Eu queria ser um rapaz norueguês. Tu querias ser uma menina alemã. E vencer o Festival da Eurovisão.
4.3.12
Eu não sei nada sobre a guerra que se tem feito. Não conheço os mortos, não entendo as razões dos vivos. E cada vez que vejo o carimbo do seu país no meu passaporte, reconheço a minha ignorância. É porque o amo, senhor? É porque o amo que fecho os olhos às atrocidades que se têm visto a dois passos da sua porta? Eu já não lamento nada, para além do atraso nos aviões que me levam até aí. E somente a música, nessa língua exótica, em que os erres são mais ricos que os erres mais ricos da minha língua, somente a música me comove.
Para minha vergonha. Não me tenho confessado e confesso que não me tem faltado tempo. Não posso, contudo, confessar-me no seu país. Já não há o culto no território, meu senhor. E como isso me deixa triste. Só deus para além da música se manifesta em mim.
Para minha vergonha. Não me tenho confessado e confesso que não me tem faltado tempo. Não posso, contudo, confessar-me no seu país. Já não há o culto no território, meu senhor. E como isso me deixa triste. Só deus para além da música se manifesta em mim.
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